Um vídeo amador postado no site YouTube, que mostra crianças encenando um ataque suicida, gerou críticas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e de entidades de defesa da criança no Paquistão. Ainda não se sabe a origem do vídeo, mas ele parece ter sido filmado no Afeganistão ou no Paquistão. Algumas das crianças parecem ter apenas três ou quatro anos. A música de fundo é uma das canções preferidas do Talibã.
No vídeo, o menino se despede das crianças e se aproxima de seu "alvo", enquanto outros meninos aparentemente fingem ser membros das forças de segurança. A areia é jogada para o alto para simular a explosão, as "vítimas" e o "suicida" fingem estar mortos. Ainda não se sabe quem estava orientando as crianças durante a representação.
Para Abdullah Khoso, ativista defensor dos direitos das crianças no Paquistão, o objetivo do vídeo é sério. "Esta mensagem é clara", disse ele. "No vídeo, os suicidas são mostrados como heróis. Outras pessoas e outras crianças podem vê-los como heróis e fazer o mesmo", afirmou. Para Khoso, o vídeo é uma ferramenta "para recrutar crianças militantes, que podem se tornar suicidas em grupos de militantes".
O recrutamento de crianças por militantes é um problema real na região. Os militantes buscam "mártires" jovens, pois seria mais fácil manipulá-los e eles são difíceis de ser detectados por forças de segurança. Especialistas afirmam que oito entre dez ataques suicidas no Paquistão são feitos por adolescentes. A polícia acredita que o ataque contra um templo em Karachi, no sul do Paquistão, em outubro de 2010, foi perpetrado por um garoto de 14 anos.
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